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Arte
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“Há um quadro de Klee que se chama Angelus Novus. Nele está desenhado um anjo que parece estar na iminência de se afastar de algo que ele encara fixamente. Seus olhos estão escancarados, seu queixo caído e suas asas abertas. O anjo da história deve ter esse aspecto. Seu semblante está voltado para o passado. Onde nós vemos uma cadeia de acontecimentos, ele vê uma catástrofe única, que acumula incansavelmente ruína sobre ruína e as arremessa a seus pés. Ele gostaria de deter-se para acordar os mortos e juntar os fragmentos. Mas uma tempestade sopra do paraíso e prende-se em suas asas com tanta força que o anjo não pode mais fechá-las. Essa tempestade o impele irresistivelmente para o futuro, ao qual ele volta as costas, enquanto o amontoado de ruínas diante dele cresce até o céu. É a essa tempestade que chamamos progresso.” 

BENJAMIN, Walter. "Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura"

 

“. . . A arte não é simplesmente um sistema independente de significação. Ela é, na verdade, uma prática social, e a gama de possíveis significados a sua disposição em qualquer tempo e período é circunscrita por um contexto histórico”.

WOOD, Paul. WOOD, Paul. Arte Conceitual, São Paulo: Cosac & Naify Edições, 2002 (Coleção Movimentos da Arte Moderna, 12), p. 15.

 

“Sou a favor de uma arte que faça algo mais do que sentar sobre a própria bunda num museu”.

OLDENBURG, Claes, citado por WOOD, Paul. Op. cit. pp. 28 e 29.

 

“The content of this painting is invisible; the character and dimension of the content are to be kept permanently secret, known only to the artist”.

RANSDEN, Mel. Pintura Secreta (1967-8), in: WOOD, Paul. Op. cit. p. 31.

 

“As verdadeiras obras de arte são as idéias”.

KOSUTH, Joseph, citado por WOOD, Paul. Op. cit. p. 35.

 

“A pintura, como representante da arte, e as imagens, como protocolos do mundo, declararam guerra entre si”.

BELTING, Hans; citado por HUG, Alfons. Contrabandistas de imagens, in: 26a Bienal de São Paulo. Artistas convidados [invited artists]. São Paulo: Fundação Bienal, 2004, p. 26.

 

“Em última instância, a arte é mais radical do que a política, pois alcança aquelas camadas da alma do indivíduo em que se efetua a verdadeira transformação da sociedade humana”.

GOETHE, citado por HUG, Alfons. Op. cit. p. 27.

 

“Se a pintura almeja a multiplicidade de formas possíveis de compreensão, a ciência se empenha por sua redução. Obras de arte podem ser abertas e ambíguas, um estudo científico, não. Por isso a boa arte será sempre ciência ruim – vice-versa”.

HUG, Alfons. Op. cit. p. 29.

 

“O minúsculo abismo que há entre o quadro em si e aquilo que ele significa é a fonte da minha pintura”.

TUYMANS, Luc, citado por HUG, Alfons. Op. cit. p. 29.

 

“O abismo livre branco, o infinito estão diante de nós”.

MALEVITCH. Le suprématisme (1916). Malévitch écrits. Paris: Champ Libre, 1975, nota 2 supra, II, p. 84.

 

“A arte nem sempre precisa ser entendida de maneira racional. Porém, precisa impactar os sentidos, de modo a atingir a emoção”.

CARDOSO, Rafael. Por que é tão difícil gostar de arte contemporânea?  Artes Plásticas. Revista Bravo, setembro de 2004, p. 38.

 

“As convenções da arte são alteradas pelas obras de arte”.

LE WITT, Sol. Frases sobre Arte Conceitual

 

“Manifesto

Purge the world of burgeois sickness, ‘intellectual’, professional & commercialized culture, purgue the world of dead art, imitation, artificial art, abstract art, illusionistic art, mathematical art, - purgue the world of ‘europeism’!

Promote a revolutionary flood and tide in art. Promote living art, anti-art, promote non art reality to be grasped by all people, not only critics, dilettantes and professionals.

Fuse the cadres of cultural, social & political revolutionaries into united front & action.”

MACUINAS, George (Grupo Fluxus), citado por WOOD, Paul. Op. cit. p. 23.

 

“. . . Em arte, nada é superado, nada avança, nada é atual, nada é antigo – o que no limite implica a idéia de que a história da arte é uma impossibilidade ou uma comodidade, outro nome para a falsificação já que a arte é o nirvana, quer dizer, a abolição do tempo”.

Teixeira Coelho (Coleção MAC, p. 262).

 

“. . . De uma forma geral, a cor é um meio de exercer uma influência direta na alma. A cor é a tecla. O olhar é o martelo. A alma é o piano de muitas cordas”.

Kandinsky

 

“. . . A arte é o encontro casual e fortuito entre um guarda-chuva e uma máquina de costura sobre uma mesa de cirurgia.”

LAUTRÉAMONT, citado por FARIAS, Agnaldo, In: RIBENBOIM, Ricardo (org.). Por que Duchamp? São Paulo: Coleção Itaú Cultural, s/d, p. 49.

 

“A pintura é feita para dentistas e a arte é um produto farmacêutico para imbecis...”

Picabia

 

“. . . A arte não representa, ela é.”

KLEE; citado in: Arte Moderna: Vanguarda, derivações e reflexões segundo o acervo do MAC USP. São Paulo: Universidade de São Paulo, 1993, p. 3.

 

“A arte não reproduz o visível, mas torna visível.”

KLEE, Paul, in: op. cit. p. 16.

 

“As pinturas, se elas devem ter algum efeito, devem possuir a intensidade tremenda do silêncio, ( . . . ) do silêncio antes da tempestade.”

TUYMANS, Luc; citado por CYPRIANO, Fábio. Cena Contemporânea. Folha de São Paulo. Caderno Especial Bienal. Especial. E5, sexta-feira, 24 set. 2004, São Paulo.

 

“. . . Não há melhor modo de se esquivar do mundo do que através da arte, e não há melhor modo de se atar a ele do que através dela.”

Goethe; citado por HUG, Alfons. Op. cit. p. 27.

 

“Desculpem a caricatura, nem todos fazem esse percurso, mas o que tenho visto é uma maquiagem do ensinar-aprender Arte e não o seu sentido. Porque cor não existe para ser fria ou quente, primária ou secundária, mas para expressar estados da alma, para construir sutis mutações ou explodir com a sua materialidade... Linha não existe para ser sinuosa, reta ou quebrada, mas para expressar tensão, fluência, devaneio, rigor... Temas não existem para registrar a história, para serem encomendadas da Igreja, da nobreza ou da escola, mas para expressar a vida, interpretando-a e ressignificando-a sob a ótica pessoal, crítica e única de seu criador. A perspectiva não existe para o exercício geométrico ou de linhas de horizonte, mas para dar a ilusão de profundidade e burlar o compreensível na tridimensionalidade também surrealista ou na economia minimalista. A técnica não existe para ser experimentada apenas, mas para que sustente e dê corpo às idéias que se desvelam pelas linguagens das Artes Visuais, Dança, Teatro, Música e de outras tantas”.

Mirian Celeste Martins

 

“. . . A arte é um órgão especial da compreensão da vida, porque em seus ‘confins entre o saber e a ação’ a vida se abre com uma profundidade que não é acessível nem à observação, nem à reflexão, nem à teoria.”

GADAMER, Hans-Georg. Verdade e método. Petrópolis: Vozes, 1997, p. 359.

 

“Prefiro as máquinas que servem para não funcionar, quando cheias de areia de formiga e musgo, elas podem um dia milagrar flores (os objetos sem função têm muito apego pelo abandono).

Também as latrinas desprezadas que servem para ter grilo dentro, elas podem um dia milagrar borboletas (eu sou beato em violetas).

Todas as coisas apropriadas ao abandono me religam a Deus.

Senhor, eu tenho orgulho do imprestável (o abandono me protege)”.

Manoel de Barros

 

“É uma casa tão grande a ausência

que passará nela através dos muros

e pendurarás os quadros no ar”.

Pablo Neruda

 

“Um quadro abstrato não representa, mas se representa

Um quadro abstrato não exprime, mas se exprime

Um quadro abstrato em si mesmo já é uma presença

E significa só ele mesmo.”

G.W. Gabriela Wilder

 

“Arte ( . . . ) é um processo de transformação quase alquímica, em que o trabalho se completa quando alguém a vê.”

ALBANO, Afonso. In: CANTON, Kátia. Novíssima Arte Brasileira. São Paulo: Iluminuras, 2001, p. 161.

 

“Arte é um processo de criação. Arte não pode ser desvinculada da minha vida – é dar vida duas vezes, às vezes às mesmas coisas.”

É reorganizar influências, agrupar imagens, transformá-las em fatos de influência da sociedade, levar as pessoas a pensar, e por que não a transformar o mundo.”

GONÇALVES, Cássia. In: CANTON, Kátia. Novíssima Arte Brasileira. São Paulo: Iluminuras, 2001, p. 165.

 

“Arte. Procedimentos diferentes, sob um mesmo nome; elemento unificador de tendência, utopia, impossibilidade; deslocamento de funções e contextos; ilusionismo, transgressão; afirmação e negação de idéias concebidas.”

VERDERAME, Eduardo. In: CANTON, Kátia. Novíssima Arte Brasileira. São Paulo: Iluminuras, 2001, p. 170.

 

“O raciocínio do artista atravessa o gesto criador inaugural para seguir o percurso problemático da obra do mundo. O resultado, esse sim, vai constituir a obra de arte. Ela será afinal a soma, ou antes, o resíduo de todas as mediações; negadas as intenções, violadas as formas, decifrados e distorcidos os conteúdos, só aí a obra de arte aparece no sentido pleno do termo. E desse modo ela se apresenta como o oposto do desvelar puro e metafísico da idéia; o que o trabalho traz é uma carga magnética de encontros e conflitos, construções e destruições, decisões e indecisões.”

BRITO, Ronaldo; citado por VOTJA, Jaqueline. In: CANTON, Kátia. Novíssima Arte Brasileira. São Paulo: Iluminuras, 2001, p. 175.

 

“Arte = Linguagem (criada e usada pelo artista a partir de lógica e mistério); Arte = Linguagem (que traduz o que está suspenso no ar); Arte = Linguagem (intraduzível para outra forma de linguagem); Arte = Linguagem (que objetiva apenas dialogar com a emoção do espectador).”

MEGNONE, Vânia. In: CANTON, Kátia. Novíssima Arte Brasileira. São Paulo: Iluminuras, 2001, p. 192.

 

“Um bom poema

leva anos

Cinco jogando bola,

mais cinco estudando sânscrito,

seis carregando pedra,

nove namorando a vizinha,

sete levando porrada,

quatro andando sozinho,

três mudando de cidade,

dez trocando de assunto,

uma eternidade, eu e você,

caminhando juntos.”

Paulo Leminski

 

“A arte, provavelmente, não nos transforma em gente melhor, ( . . . ) mas ela nos ajuda a suportar melhor a nós mesmos e a nossa solidão. Ela dá vazão ao desejo de sermos um outro e de podermos viajar levados por um raio temporal a lugares inatingíveis, onde nos espera um mundo melhor.”

BLOOM, Harold. Cit. Por HUG, Alfons. Contrabandistas de imagens, In: 26a Bienal de São Paulo: artistas convidados [invited artists], São Paulo: Fundação Bienal, 2004, p. 26.

 

“A pintura é poesia muda e a poesia, pintura que fala.”

Sinômides de Ceos

 

“A pintura não tem nada a ver com a verdade. A arte é mentirosa. O pintor é aquele que consegue convencer os outros da veracidade de suas mentiras.”

Paul Klee

 

“Acima de tudo (. . .) a função da arte é a cartasis – a purificação: as emoções acumuladas em nós pelo recalcamento das restrições sociais e que podem, subito, expluir em atos antissociais e destruidores, são expedidas sob a forma inócua da emoção dramática . . .”

DURANT, Will. História da Filosofia: vida e idéia dos grandes filósofos. São Paulo: Editora Nacional, 1956, p. 89.

 

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“A história me precede e se antecipa à minha reflexão. Pertenço à história antes de pertencer a mim mesmo”.

RICOEUR, Paul. Interpretação e ideologias. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves Editora S.A., 1977, p. 39.

 

 

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